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  • Foto do escritorCaroline Leonel dos Santos

Somos passageiros, feitos de processos.

Atualizado: 3 de jul. de 2023

Esse é um texto sobre algo que eu fiquei pensando no fim de uma tarde de sexta-feira, quando os atendimentos da semana tinham terminado. Talvez não faça sentido pra todas as pessoas que lerem, mas eu quis escrever mesmo assim.


Vez ou outra, eu ouço pessoas que parecem estar preocupadas por estarem se sentindo bem. Parece estranho pra você? Sabe quando as coisas estão dando certo e a gente passa a sentir uma espécie de desconfiança da própria vida, como se algo estivesse no lugar errado? Em um primeiro momento, essa preocupação parece parte de um mecanismo quase óbvio de ansiedade. Pode ser. Mas meu pensamento foi além.


O movimento na psicoterapia acontece, entre outras coisas, por uma junção de esforços entre a terapeuta e a pessoa atendida em busca de mudanças significativas. Não de que a vida comece a virar um conto de fadas, longe disso. Mas sim, de que aos poucos, o que era desconhecido vá ganhando forma e que já não assuste mais como antes. Novas estratégias vão sendo elaboradas e o que era grande vai diminuindo de tamanho.


É comum que, no meio dessa caminhada, aconteçam alguns tombos. E nos momentos de fragilidade pode ser mais difícil acolher sentimentos ou identificar os pensamentos que atrapalham, por exemplo. É o cenário ideal para o medo e a ansiedade - "Eu estava tão bem, agora parece que perdi tudo que tinha conquistado" - É como se a angústia trouxesse a sensação de perda do que foi construído.


Além disso, acho que no fundo a gente carrega uma certa idealização de que é possível estacionar no bem estar, de que em algum momento da vida encontraremos uma resposta que nos tornará imunes aos sentimentos difíceis. Alguns anos como terapeuta me ajudaram a desconstruir essa ideia. Que bom, afinal isso não é possível. Todos vamos experimentar sentimentos desconfortáveis ao longo da vida e já está mais que provado que escondê-los em nós não é nada saudável.


Na minha percepção, passar pelas oscilações naturais da vida com menos sofrimento, é um compromisso que não termina e que necessita de apoio emocional. É possível estar mais atenta. Algumas vezes pode se tratar, por exemplo, de escolher esperar um pouquinho para que as nossas emoções não nos dominem. Em outras, pode ser reconhecer que o que sentimos nos ajuda a tomar decisões que respeitem os nossos limites.


Então, talvez, os tombos possam se tratar de recomeços. Começamos de novo, estamos em outro momento que , para o bem ou para o mal, também logo se transformará, dando vida a um novo cenário. A vida parece ter dessas coisas mesmo.


Tenho aprendido que é preciso certa atenção para enxergar o que é novo. O presente tem muito de passado, carregamos muitas coisas (desnecessárias) na mochilinha. E o futuro nos prega peças que confundem ansiedade com planejamento. Gosto de pensar que não retornamos ao estado anterior, avançamos para novos desafios, que até podem se parecer com algo que já foi vivido, mas já não somos a mesma pessoa e nem é mais o mesmo rio.






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